Você já percebeu como a comida está conectada a nossas emoções?Uma das tendências que falamos nessa semana é sobre como esse processo de formação do sabor está sendo explorado para criar novos produtos e serviços, não só para restaurantes, mas também para as nossas casas.
Nossas memórias, percepções e interpretações podem mudar o sabor de um prato e toda a experiência que temos ao comer. Chefs brincam com isso o tempo todo. Mas grupos de cientistas também têm explorado essas experiências com o sabor mais a fundo. Por meio de pesquisas, eles buscam entender como o mecanismo do gosto funciona no nosso cérebro para poder “hackear” nossa percepção dos sabores.
Sinestesia gastronômica

Um recipiente especial pode fazer a mesma comida parecer mais doce para um consumidor do que para o outro. Mexer com a audição pode dar a sensação de que a cenoura é uma batatinha chips. É possível estimular o cérebro para sentir o gosto salgado, por exemplo. O hashi criado pelo Multisensory Interactive Media Lab, da Universidade do Maine, usa pequenos choques elétricos na língua, para fazer você sentir o gosto de sal – sem precisar ingerir o ingrediente.
Nessa mesma direção, o chef Jozef Youssef, de Londres criou a Kitchen Theory, um cardápio que estimula os sabores por meio da psicologia, em parceria com a Universidade de Oxford. A base da experiência é a maneira com que cheiros, texturas, sons e até memórias alteram nossa percepção de sabor.
Sabor, saúde & tecnologia

Com maior conscientização sobre nutrição, saudabilidade e o uso de recursos naturais, a possibilidade de “burlar” o cérebro é uma tendência que irá dominar os restaurantes e conquistar o consumidor nos próximos anos.
Será possível sentir o gostinho de ingredientes mesmo se eles não estiverem na comida. Ou então sentir o gosto de algum alimento ou bebida sem sequer ingeri-lo, enviando seu “sabor” via plataformas multissensoriais.
O cheiro tem papel fundamental na maneira com que sentimos o gosto do que comemos. Akihiko Iyoda, fundador da Crazy Kitchen, criou um perfume de comida que faz com que um gel sem sabor e de textura nada convidativa tenha o gosto da comida que ele quiser.
São ideias ainda em fase de pesquisa e testes, mas já acenam para um futuro em que não precisaremos abrir mão dos nossos favoritismos ou costumes por causa da saúde e do impacto ambiental.

Empresas de alimentos veganos, como a Not Company e Good Catch já usam tecnologias que mapeiam os sabores para produzir alternativas a alimentos como maionese, iogurte e atum enlatado feitos a base de plantas, mas com sabores fiéis aos originais.
Tecnologias que alteram nossa percepção sobre os sabores ainda têm o status de “experiência”, mas futuramente serão amplamente utilizadas no dia a dia da gastronomia e dos lares.
Uma das principais mudanças que chegam com o investimento em pesquisa voltada para a área de alimentos e bebidas é o desenvolvimento de produtos mais saudáveis, sem comprometer o sabor, ou melhor a percepção de sabor. Quem tem restrição alimentar e dietas especiais não precisa mais necessariamente de comidas menos saborosas ou muito diferente daquelas que gostariam de estar ingerindo. Estamos ansiosas para acompanhar os próximos lançamentos da indústria e as novidades na gastronomia!