Se você planeja uma viagem para o Japão, pode se programar para comer uma refeição feita por japoneses em suas próprias casas. Essa é a proposta do AirKitchen, um serviço que conecta locais à turistas: você procura o prato que mais te interessa, agenda o jantar (ou almoço), paga online e, na data marcada, é só aparecer na casa do seu anfitrião para ajudá-lo a preparar o prato e comer com ele.
É quase que um Airbnb de comida – aliás, o próprio Airbnb oferece esse tipo de experiência. Para o turista, ele tem a chance de viver uma experiência local durante sua viagem. Para o anfitrião, conseguir uma grana extra com seus dons culinários e ainda conhecer gente do mundo todo.
Airbnb de comida: você marca um horário e aparece na casa de alguém para jantar.
Aqui no Brasil é possível marcar um jantar na casa de um desconhecido desde 2013. O Meal Sharing e o EatWith são plataformas que oferecem esse tipo de conexão no mundo todo.
E temos exemplos um pouco diferentes do AirKitchen, como o Eats For You. Nele, cozinheiros – a maioria donas de casa – se cadastram para oferecer seus pratos, que podem ser entregues em casa ou retirados pelo cliente.
Dá certo?

Enquanto muitos se entusiasmam com a possibilidade de comida quentinha e caseira sem precisar sujar sua própria louça, outros levantam questões burocráticas que podem acabar com esses negócios.
É o que o app Josephine enfrentou nos EUA. Lá muitos estados não permitem a venda de alimentos preparados em cozinhas que não sejam profissionais. Usuários do aplicativo receberam notificações judiciais, pois não teriam autorização para cozinhar e vender seus pratos. Toda a atividade da startup era ilegal. Os donos do Josephine chegaram a alugar cozinhas profissionais e até tentaram flexibilizar a lei, mas nada deu certo. O aplicativo foi descontinuado no ano passado.
Mas há alguns meses, uma nova lei na Califórnia abriu as portas para o negócio das cozinhas caseiras. No estado, é permitido servir até 60 quentinhas mensalmente e faturar até $50,000 por ano com pratos feitos em cozinhas não profissionais.
E aqui no Brasil? Tem problema?
O Eats For You verifica todas as cozinheiras cadastradas para confirmar que seguem as regras da Anvisa.
Nelson Andreatta, criador do Eats For You, diz que todos os cozinheiros que se cadastram no site são avaliados. Suas cozinhas também são verificadas para ter certeza de que seguem todas as regras de segurança da Anvisa. Ou seja: não é todo mundo que é liberado para fazer parte do app.
E pelo jeito vem dando muito certo: o número de cozinheiros cadastrados só aumenta.
Para quem está cansado de comida de restaurante e para quem quer viver experiências mais aconchegantes durante uma viagem, a comida caseira é uma ótima pedida e, agora, é mais possível do que nunca.