Quantas vezes você saiu de casa para jantar no último mês? Ou melhor: quantas vezes você pensou em sair para jantar, mas acabou pedindo comida em casa mesmo?
O uso do delivery vem aumentando nos últimos anos, e é nesse contexto que surgiram os restaurantes virtuais. A cozinha existe – pois não dá (por enquanto) para preparar pratos na nuvem, né? -, mas a experiência acontece toda online e na sua casa. Não há um restaurante onde você pode entrar, se sentar e pedir um prato. O cardápio está no site ou em aplicativos como iFood, UberEats e Rappi.
O conceito anda em expansão evidente em uma das maiores potências econômicas do mundo, a China, onde empresas alugam cozinhas para restaurantes. A Panda Selected acaba de receber um investimento polpudo para dobrar o número de estabelecimentos. Concorrente direta da chinesa é a CloudKitchens, do cofundador da Uber, Travis Kalanick. Depois de deixar a Uber, ele investiu pesado nesse setor e já planeja sua expansão para a Ásia e a Europa.
O mercado brasileiro ainda tem bom espaço para expandir. Um modelo a se copiar é o chinês, com suas cozinhas alugadas.
Aqui no Brasil já temos restaurantes virtuais, claro. No final de 2017, a UberEats cadastrou em sua plataforma dez restaurantes virtuais tocados por chefs refugiados. O iFood, app de entregas mais usado aqui, aumentou em 84% o número de restaurantes físicos e online em sua plataforma em 2018, e a quantidade de entregadores cresceu 88%.
O crescimento se justifica: quem é que quer sair de casa se pode conseguir comer um prato diferente todo dia sem precisar levantar do sofá – pelo menos até a hora de receber o entregador? Além da praticidade que o delivery proporciona, podemos pensar em que outros impactos os restaurantes virtuais podem causar no mercado.
O que muda pra gente?
Os restaurantes virtuais surgem como uma maneira de baratear os custos para o restaurante e, com isso, ampliar o atendimento a seus clientes. No caso da CloudKitchen, a maioria dos imóveis alugados ficam em regiões com menos demanda, pois o aluguel sai mais em conta. E não há custos com decoração, utensílios e garçons. Mas será que a economia de custos com espaço físico se traduz em pratos mais baratos ou em melhores ingredientes?
33% dos pedidos delivery do Brasil são feitos através de aplicativos. Telefone e WhatsApp ainda são muito usados pelos consumidores.
E a experiência com a marca? Como fica?
Sem uma loja física para receber, o primeiro ponto de contato entre o restaurante e o consumidor acontece online, no próprio aplicativo.
Por isso os restaurantes devem ter cuidado redobrado com o design de sua marca. Logo, banners, comunicação nas redes sociais, fotos das opções do cardápio e embalagens ganham um peso ainda maior. Um design caprichado com certeza conta pontos na hora de escolher de onde pedir.

Apesar de baratear alguns custos, há alguns contrapontos neste modelo.
Pensa com a gente: com que frequência você se arrisca a pedir comida de um lugar que não conhece? Um dos desafios dos restaurantes virtuais é a atração de novos clientes. O que fazer para convencer o consumidor de que esse restaurante que ele não conhece, que nem tem um espaço físico para visitar, merece o seu pedido?
Tendemos a pedir comida dos lugares que já conhecemos e confiamos, pois sabemos que vamos receber o produto que esperamos. Com novas opções, só temos as avaliações de outros clientes e a apresentação online do restaurante para avaliar se vale a pena ou não apostar nessa novidade.
Estamos saindo menos de casa?
O crescimento de aplicativos de entrega certamente levanta algumas questões sobre a mobilidade urbana. Seria a tendência ficarmos cada vez mais em casa?
Ao pedir uma pizza através de um aplicativo, certamente não temos que lidar com filas ou reservas em restaurantes tradicionais – assim como não temos que nos deslocar, encontrar lugar para estacionar etc.
Significa que estamos cada vez menos procurando por experiências “físicas”, ou só queremos ser práticos mesmo?

Hoje temos muito mais opções de pratos e sabores na palma da mão do que se formos para um restaurante. Então será que os restaurantes virtuais vão dominar o mercado? O que você acha dessa ideia?
Ótimo texto. Na minha opinião não é nem uma questão de comodidade. Tendemos a ficar mais em casa por economia e segurança.
Concordo também! Mas acho que pra mim a preguiça de sair de casa conta muito na hora de pedir: não precisa pegar ônibus/metrô, no caso de quem tem carro, não gasta com gasolina e nem tem estresse de achar lugar pra estacionar. xD
Uma mistura de preguiça e economia acabam fazendo eu pedir mais comida em casa do que realmente sair para comer.